segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Descoberta do tumor - parte 4

    Fomos para o pré operatório, uma sala grande e gelada, e lá tinham crianças e adultos sendo preparados e aguardando serem levados pra sala de cirurgia, trouxeram touca pra ele, me fizeram várias perguntas, recebi uns papeis que citavam os riscos, foi horrível ler e assinar aqueles papéis, assinei também o papel da anestesia, a bendita necessidade do coma induzido, e a autorização para transfusão de sangue. Disseram que a equipe já havia chegado, que estavam avaliando as imagens e logo viriam falar comigo. Mais o tempo foi passando e nada de médico, a sala foi ficando vazia, todos sendo levados pra cirurgia e nada de médico, até que ele apareceu, se apresentou como Dr, Enrico, seria ele o cirurgião do nosso filho, ele nos disse que olhou os exames e que achava melhor fazer uma ressonância magnética, que só com a tomografia não seria possível ter tanta precisão sobre o tumor, qual a área afetada e qual o melhor acesso, disse que era médico do Boldrini e que tentaria mais uma vez a vaga lá, e que se não conseguisse ainda faria a cirurgia naquela manhã, era pra continuarmos aguardando a decisão alí, e assim ficamos por mais quase uma hora até que ele voltou e nos disse que não conseguiu a vaga, mais que não operaria sem uma ressonância, então encaixariam ele para uma ressonância de emergência ainda naquele dia, e que talvez a cirurgia acontecesse ainda naquela tarde.
    Esperamos um pouco e logo os maqueiros vieram buscar ele e nos levaram de volta pra enfermaria, eles tentariam arrumar um quarto pra ele, porque ele não poderia ficar na enfermaria, me disseram que provavelmente o exame seria só a tarde mais ele continuaria no jejum.
   Eu então resolvi aproveitar aquele tempo pra ir pra casa, eu precisava tomar banho e pegar umas roupas, carregador, produtos de higiene, afinal de contas eu não sabia quanto tempo ficaríamos ali, pedi pra minha mãe ficar com ele e que qualquer decisão dos médicos ou mudanças era pra ela me ligar. Eu saí de lá com o coração partido, mais eu precisava ir, passamos no trabalho da minha sogra para dar notícias e passamos também na loja de brinquedos pra comprar dois brinquedinhos que ele queria tanto.
    Cheguei em casa e o choro foi inevitável, a casa cheia de desenhos dele por toda a parte, o chinelinho dele no chão, a cama dele desarrumada e os brinquedinhos do jeito que ele deixou, e o cheirinho dele nos lençóis, e ele não podia estar ali, isso era muito triste, antes de tomar banho eu arrumei algumas mochilas e lembrei que teria que ligar pra escola, respirei fundo e me acalmei, mais quando liguei para a Rute (secretária da escola), ela caiu no choro e eu também, choramos juntas, ela me disse umas palavras de conforto e se disponibilizou para ajudar no que fosse necessário. Recebi algumas ligações de parentes preocupados e avisamos sobre as mudanças e fiquei de mandar notícias através do facebook.
   Minha mãe ligou e disse que eles tinham ido pro quarto, me passou o número do quarto e leito, mais ainda não tinham o horário da ressonância, e disse que ele estava chorando porque queria a mãe, é obvio q saímos de pressa. Chegamos no hospital e ele amou os presentes, só assim pra ele sorrir no meio de tanto sofrimento e eu tirei uma foto e postei no face com a frase ''nada como um brinquedinho novo para esquecer q está sem comer por 2 dias!!''.

Recebemos muitas mensagens de carinho, muitas pessoas compartilharam a foto junto com pedidos de orações, formou-se uma corrente muito linda que eu nunca vou esquecer.


  Meu marido e minha mãe foram pra casa, meu marido voltaria com meus sogros para a visita mais tarde.


 Passado mais algum tempo vieram me avisar que a ressonância seria as 18:00 e que logo viriam para começar a sedação, mais que a cirurgia seria só no dia seguinte. Eu liguei para o meu marido avisando q o exame seria bem no horário da visita, mais ele disse que eles viriam mesmo assim.


  Logo vieram para começar a sedação, deram a dose de sedativo na veia, só que eu achei estranho ele não ficar molinho como da outra vez, ela me garantiu que em 10 ou 15 minutos ele estaria dormindo, mais eu tinha certeza que não, ele continuou como se nada tivesse acontecido, fomos levados até a sala do exame, mais a moça que acompanharia o exame disse que teriam que reforçar a sedação, e assim fizeram, e ele NADA!! nada de dormir, ficar molinho, o sedativo simplesmente não fazia efeito!!. Posicionaram ele para o exame, me colocaram um avental pesado e um fone de ouvido, e me entregaram um botão, e que se ele chorasse ou se mexesse era pra apertar o botão. O exame começou e eu já tive que apertar o bendito botão, o barulho que aquele aparelho faz é muito alto, ele se assustou e começou a chorar, resolveram dar mais uma dose de sedativo, até aí tudo bem, até que a enfermeira cometeu um erro na hora de aplicar o sedativo e vazou um pouco, e pra se livrar da culpa disse que a veia foi perdida, e o caos começou, furaram ele mais duas vezes pra achar veia e sem saber direito quanto sedativo tinha entrado na veia deram mais uma dose!!!  a quarta dose de sedativo, e ele só chorava, ainda mais depois das picadas. A moça que faria o exame começou a reclamar que já tinha dado a hora do setor fechar e que não esperaria mais, a enfermeira disse que não sairia de la sem o exame, começaram a brigar alí, na minha frente!! e o Dudu  chorando, eu peguei no colo, tentei acalmar, mais ele só chorava, fez xixi na roupa pois já tinha perdido o controle de segurar, ele estava lutando contra quatro doses de sedativos que segundo a enfermeira uma dose só daquela derrubaria um adulto por umas três horas!!, ele lutava, e chorava, e elas brigavam cada vez mais, ligaram pra anestesista e ela sem nem mesmo ver o estado dele liberou mais uma dose!!! e elas deram, e ele mesmo assim,  não parava de chorar, e eu comecei a chorar também, ele precisava do exame, mais eu não deixaria aplicar mais nada nele, ele já estava com a respiração ofegante, ele estava lutando contra o próprio corpo, e quando eu estava prestes a mandar elas pararem entrou a pediatra que veio ver o porque da demora, e proibiu que dessem mais sedativos pra ele, foi um alívio, porque se eu tivesse pedido isso elas alegariam que pararam porque a mãe dele não deixou fazer o exame, é sempre assim!! eles ligaram para o médico e ele disse que faria a cirurgia sem a ressonância no dia seguinte. Voltamos para o quarto e colocaram ele no oxigênio um pouco, pois a saturação tinha caído, eu olhei no relógio e já passava das 20:00, foram duas horas de tortura naquela sala e ele não dormiu!! A enfermeira disse ''esse menino vai dormir a noite inteira, talvez nem acorde pra cirurgia amanhã por causa desses sedativos''.Mais eu não queria que ele dormisse porque eu tentaria pedir que ela me deixasse dar água pra ele, nem que fosse um golinho, ele chorou o dia inteiro pedindo água e já que a cirurgia seria só no dia seguinte eu não via mal algum em deixar,  eu fiz de tudo pra ele ficar acordado e depois de uns 10 minutos ele despertou mais ainda, ficou falante, pegou os brinquedos novos pra brincar e quando a enfermeira viu ficou abismada!!, disse que estava tão bem que poderia tomar a água e até comer alguma coisa, mais que não tinha mais copeira pra trazer algo pra ele, eu perguntei se poderia sair pra comprar e ela disse que tinha uma lanchonete la em baixo e que ficaria com ele pra eu ir buscar. Eu fui voando, nem quis esperar elevador, desci de escada mesmo, lá só tinha coxinha e refrigerante, não era o ideal, mais ele precisava comer alguma coisa, comprei e voltei mais rápido ainda, os olhos dele brilharam quando viu a comida, mais a enfermeira me lembrou que ele deveria comer pedacinhos pequenos e assim fizemos. Eu lembrei que meu marido viria, liguei pra ele e por incrível que pareça eles ainda estavam la fora esperando, eu chamei a enfermeira, expliquei a situação e ela deixou que os avós entrassem só um pouquinho para vê-lo.


      Eu aproveitei que ele estava com os avós e desci pra ver o Henrique, meu Deus que saudade do meu caçula!!! nunca tinha ficado tanto tempo sem vê-lo, meu coração ficava dividido o tempo todo, eu pensava muito nele, cheguei a chorar, mais eu sabia que ele estava em boas mãos e estava bem! fiquei um bom tempo com ele, conversei com meus familiares que estavam lá fora e eles ficaram impressionados com a força do Dudu, eu voltei la pra cima e todos foram embora, ficamos só eu e ele novamente, mais dessa vez eu não me despedi dele, dessa vez eu tive a prova que meu filho era mais forte do que eu pensava,ele me provou isso quando resistiu a tantos sedativos e estava ali tão elétrico, e aquele menino que a enfermeira disse que dormiria a noite toda foi dormir  já era mais de 3 horas da madrugada!, brincamos muito, trocamos carinhos, assistimos desenho, até que finalmente ele dormiu, um sono sereno, tranquilo, assim também estava meu coração e agora eu tinha total certeza que meu filho sairia dessa bem!.

                        

1 comentários:

  1. amiga que luta amiga
    imagino seu coração
    na hora da ressonância
    amiga pra tirar o sangue da minha eu já sofro
    imagina segurar minha filha por que os sedativos não fizeram efeito

    lindo dia bj
    Ser Mamãe Pela Segunda Vez
    Google+Nanda


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